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No Valor Econômico: "Setores beneficiados por desoneração salarial criam 40% menos vagas"

Publicado em 27/06/2012 no Valor Econômico. Por Thiago Resende.


Os quatro setores beneficiados pela desoneração da folha de pagamento criaram, na média, 40% menos vagas formais de empregos nos primeiros cinco meses deste ano em relação ao mesmo período de 2011 - no ano passado, juntos, eles abriram 67 mil vagas, número que caiu para 41 mil em 2012. Considerando todos os setores da economia, a queda na geração de empregos foi de 30% na mesma comparação, mas o desempenho na indústria foi pior que a média dos setores favorecidos, pois a abertura de vagas ficou 53,5% menor.


Em vigor desde o início do ano, a medida de proteção à indústria nacional e estímulo à economia reduz o custo da mão de obra. Em contrapartida, as empresas deveriam gerar empregos, o que, segundo levantamento feito pelo Valor, vem acontecendo em ritmo mais lento. O desempenho do mercado de trabalho nos setores beneficiados divide a opinião de analistas. Para alguns, a ação do governo ainda não teve efeito. Para outros, o resultado nos quatro setores - confecções, couro e calçado, tecnologia da informação e comunicação (TI e TIC) e call-center - seria ainda pior se não houvesse a desoneração.

Esses quatro segmentos, que estão entre os que mais empregam na economia brasileira, foram os primeiros beneficiados pela desoneração, que será ampliada em agosto. Quando decidiu pela ampliação, o governo anunciou que criaria um grupo para avaliar os efeitos da medida. Essa equipe formada por representantes do governo, trabalhadores e empresas, não se reuniu até hoje, informou uma fonte do governo. O motivo seria a burocracia para criação do grupo.


As empresas já incluídas na medida ficaram isentas da alíquota de 20% sobre a folha de pagamento e, em troca, passaram a pagar um percentual - que varia de 1,5% a 2,5% - sobre o faturamento bruto, como forma de contribuição previdenciária. Enquanto os quatro setores criaram cerca de 41 mil novos postos de trabalho até maio deste ano, toda a economia abriu 737,9 mil vagas no mesmo período, 30% menos que o 1,05 milhão de empregos.


A queda no ritmo de geração de vagas nos setores foi constatada em levantamento feito pelo Valor com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. A pesquisa considerou atividades vinculadas aos setores com desoneração da folha e atingiu 36 mil empresas - quase 86% dos estabelecimentos incluídos na medida. Segundo divulgação de junho do Plano Brasil Maior, são 42 mil companhias nesse novo método de recolhimento, sendo 30 mil prestadores de serviços de TI e TIC.


O setor de confecção e o de call-center registraram um recuo na geração de vagas formais de 54% - a maior queda entre os quatro beneficiados pela medida. Couros e calçados ficou praticamente estável, com redução de 5% na criação de empregos - número bem abaixo do registrado nas atividades dos serviços de tecnologia da informação (queda de 40%). Na indústria de transformação, o recuo total foi de 53,5%, enquanto que a criação de postos de trabalho no setor de serviços foi 19,5% menor que em igual período do ano passado.

Leia a íntegra do "Setores beneficiados por desoneração salarial criam 40% menos vagas" no link:

http://www.valor.com.br/brasil/2729710/setores-beneficiados-por-des...

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Tags: Economia do Trabalho

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