Publicado em 26/06/2012 no Valor Econômico. Por Carlos Gilffoni.
Conjuntura Setor eleva produtividade e aprofunda diferença salarial em relação a segmento de transformação.
A produtividade estagnada da indústria de transformação tem feito com que a diferença entre os salários pagos pelo setor e pela indústria extrativa mineral se aprofunde. Em 2007, o salário de admissão na extrativa mineral era 31,8% maior que o da indústria de transformação. Entre janeiro e maio deste ano, a diferença chegou a 65,1%.
Além de demandar mão de obra mais qualificada e de ser beneficiada pelo aumento do preço das commodities, a indústria extrativa viveu um período forte de investimentos na última década, o que refletiu em maiores salários para os trabalhadores do setor.
A partir das contas nacionais e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, calcula que, entre 1996 e 2009, o salário médio na indústria de transformação cresceu 27,3%, contra um aumento modesto da produtividade do setor, de 5,7%. Em contrapartida, o aumento de 124,4% da produtividade na indústria extrativa mineral foi acompanhado por uma valorização de 131,2% dos salários médios no setor, no mesmo período.
No primeiro trimestre deste ano, a indústria extrativa respondia por 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Sua fatia de participação em 2007 era de 2,3%. Esse crescimento foi acompanhado de um recuo da indústria de transformação, cuja participação era de 17% em 2007 e chegou a 13,1% no primeiro trimestre. Essa inversão tem reflexo nos salários num mercado de trabalho apertado, onde a disputa por profissionais qualificados é grande.
Esse ganho de espaço no PIB foi impulsionado pela diferença de produtividade nos setores, explica Menezes Filho. A evolução dos salários está muito ligada à evolução da produtividade. Parte do aumento de produtividade se converte em aumento salarial e parte se converte em aumento de lucratividade para os empresários, diz. Na indústria de transformação, não vimos choques externos que favorecessem o setor, ou inovações tecnológicas e aumento de investimentos significativos que resultassem em produtividade maior no Brasil. O setor está estagnado.
O salário médio pago aos trabalhadores da indústria extrativa mineral é o mais alto entre os setores da economia, devido à qualificação exigida no setor e à falta de mão de obra preparada. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a média do salário de admissão no setor, entre janeiro e maio, foi de R$ 1.678,27, enquanto que na indústria de transformação a média foi de R$ 1.016,36.
A economia brasileira andou numa espécie de bolha nos últimos anos, o que coincide com a alta das matérias-primas a partir de 2004, não só na agricultura, mas principalmente na mineralogia, avalia Guilherme Dias, professor da FEA-USP especialista em economia agrária e de recursos naturais. Houve muitos investimentos nessa área, que se expandiu muito na última década. O impacto nos salários é imediato.
Entre 2002 e o ano passado, observa-se dois momentos distintos da evolução salarial na comparação entre indústrias extrativa e de transformação. Entre 2002 e 2006, o salário de admissão na extrativa mineral cresceu 34,2%, frente a um avanço de 48,4% na indústria de transformação. No período seguinte, até 2011, o movimento foi inverso. O salário de admissão na transformação cresceu 43%, e na extrativa, a variação foi de 93,7%.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado para deflacionar os salários, avançou 31,6% entre 2007 e 2011, o suficiente para corroer a evolução nominal dos salários na indústria de transformação, garantindo ainda bom ganho real para os trabalhadores da extrativa mineral.
Leia a íntegra do "Salário sobe muito mais na indústria extrativa" no link
http://www.valor.com.br/brasil/2727970/salario-sobe-muito-mais-na-i...
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