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No Valor Econômico: "Produção fraca derruba nível de emprego e reduz salário no setor"

Publicado em 11/07/2012 no Valor Econômico. Por Carlos Giffoni e Alessandra Saraiva.


A queda na produção industrial está acentuando seu efeito sobre o mercado de trabalho. O emprego do setor recuou 0,3% sobre abril, o terceiro mês consecutivo na comparação com o mês anterior, já descontados os efeitos sazonais, segundo a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na mesma comparação, o custo da folha real de salários caiu fortemente - 2,5% em relação a abril, também a terceira queda na comparação mensal com ajuste sazonal.

Os dados do IBGE mostram que o emprego começa a seguir mais de perto o comportamento negativo da atividade industrial. Enquanto a ocupação acumula queda de 1,1% na comparação com os primeiros cinco meses de 2011, a produção da indústria caiu 3,4%. Nesse período, o setor ainda não sentiu o alívio do custo salarial, pois a folha de pagamentos ficou 3,8% superior ao início de 2011.


O reflexo da produção, que cai desde o ano passado, demorou a chegar ao nível de emprego devido a uma defasagem natural dessa variável em relação à produção, mas também porque os setores seguraram as demissões, considerando os gastos e a dificuldade de contratar e treinar pessoal. Agora, com a produção em queda, empresários veem a necessidade de retomar ganhos de produtividade - ou diminuir as perdas - fazendo ajustes no quadro de funcionários, avaliam economistas.


Para Fabio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores, os empresários passaram a concentrar preocupações na retomada da produtividade uma vez que a produção não dá sinais de uma recuperação vigorosa ainda em 2013. O emprego vai continuar caindo, até porque houve essa queda da produtividade nos últimos meses. A indústria contratou durante um bom tempo, enquanto a produção diminuía, diz Silveira. Os empresários não acreditam mais em uma retomada tão forte no segundo semestre e começaram a ajustar o quadro de funcionários à expectativa de produção futura.


A produtividade da indústria caiu 0,3% em maio, frente a abril deste ano. Segundo a Pimes, o pessoal ocupado na indústria caiu 0,3% em maio, ante abril, com ajuste sazonal, e o número de horas pagas caiu 0,6% na mesma comparação. Na semana passada, o IBGE divulgou que a produção de maio recuou 0,9% ante abril, também com ajuste sazonal.


A indústria apresenta um quadro predominantemente negativo tanto na atividade quanto no emprego, segundo o economista da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo. Para ele, não é possível o emprego industrial se recuperar enquanto não houver retomada no nível de atividade. O obstáculo para esta retomada continua a ser uma série de fatores que não foram equalizados em maio, como o alto nível de estoques, a concorrência acirrada com importados e os níveis elevados de inadimplência e endividamento por parte dos consumidores - o que prejudica a demanda interna.


A continuidade da trajetória de queda no emprego industrial se refletiu também na queda de 2,5% no valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria em maio ante abril, a mais intensa nesta comparação desde dezembro de 2010 (-3,0%).

Leia a íntegra do "Produção fraca derruba nível de emprego e reduz salário no setor" no link:

http://www.valor.com.br/brasil/2745198/producao-fraca-derruba-nivel...

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Tags: Economia do Trabalho

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