Publicado em 18/06/2012 no Valor Econômico.
Por que discutir equidade de gênero num evento de meio ambiente? Para os participantes do fórum dedicado ao tema, que ocorreu no Humanidades 2012, evento paralelo à Rio+20, não é possível caminhar rumo ao desenvolvimento sustentável sem a participação das mulheres.
Durante o evento, promovido pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, convocou Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, presidente da Firjan, e Paulo Skaf, presidente da Fiesp, a se engajarem para que as empresas ampliem a presença das mulheres em seus conselhos de administração.
A ministra citou que apenas 11% das empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo têm representatividade feminina em seus conselhos. Empresas como o Banco do Brasil e até a Natura, que conta com um histórico de boas práticas, não têm mulheres em seus conselhos. Com a participação das mulheres, as empresas poderão ter uma nova escala na questão da sustentabilidade e, principalmente, nas escolhas da produção de consumo. Não é possível falar em desenvolvimento sustentável sem a participação das mulheres, resumiu a ministra.
Izabella Teixeira lembrou que um dos temas mais importantes do debate político da conferência é o da produção e do consumo sustentável que tem a ver diretamente com as mulheres e seu cotidiano em relação às suas famílias e às suas escolhas. O dialogo não é sobre não consumir e sim como consumir melhor, com menos agrotóxicos, com produtos mais duráveis, ou que não gerem produção de resíduos e com uma visão de sustentabilidade que gere bem estar. Por esta razão a mulher tem um papel fundamental, defendeu a Teixeira.
Em resposta à ministra, o presidente da Fiesp anunciou que a Fiesp vai criar, em conjunto com a Firjan, um conselho de mulheres para discutir com as empresas uma maior participação feminina nas decisões empresariais.
Skaf também anunciou que a Fiesp e a Firjan vão se engajar em uma campanha para que os governos zerem o déficit atual de creches para crianças de mães trabalhadoras, que no Rio de Janeiro chega a 100 mil crianças e em São Paulo, a 300 mil. Outra iniciativa anunciada é a criação de um MBA gratuito para 5 mil diretores de escolas públicas, desenvolvido e patrocinado pelas duas entidades.
Skaf apontou os pontos principais do documento A desigualdade é insustentável, elaborado pela Fiesp e Firjan e encaminhado aos negociadores da Rio+20 e ao governo. No documento, as duas federações defendem que é preciso criar condições dignas de trabalho a todos, combater o trabalho escravo, assegurar salários iguais para homens e mulheres, garantir o livre acesso das mulheres ao mercado de trabalho, bem como direitos aos portadores de necessidades especiais e às minorias e combater e criminalizar a discriminação racial.
Leia a íntegra do "Ministra quer mulheres em conselhos de empresas" no link:
http://www.valor.com.br/rio20/2717518/ministra-quer-mulheres-em-con...
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