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No Valor Econômico: "Desemprego industrial cresce em várias cidades-polo do país"

Publicado em 11/07/2012 no Valor Econômico. Por Tainara Machado e Marcos de Moura e Souza. Colaborou Eduardo Laguna.

Conjuntura Demissões são pulverizadas e puxadas por pequenas empresas.


Em diferentes polos industriais do país, a indústria de transformação demitiu mais do que contratou entre janeiro e maio. Em Manaus, o saldo é de 4,2 mil vagas fechadas. Na região metropolitana de São Paulo, são 6,6 mil empregos a menos e em Sobral, que concentra a indústria calçadista do Ceará, 1,6 mil demissões ocorreram no período, entre outros exemplos espalhados pelo país, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).


No Brasil como um todo, a indústria de transformação ainda criou 117 mil empregos formais até maio, mas o saldo é bem inferior aos 236 mil novos empregos do começo do ano passado.


O desemprego industrial é pulverizado, marcado pela não reposição da rotatividade inerente ao mercado de trabalho (como aposentadorias, demissão por iniciativa do empregado e desligamento por justa causa) e pelo início de demissões em pequenas e médias empresas, especialmente, segundo informações de dirigentes dos sindicatos que concentram as demissões. Entre as cidades do ABC paulista, a indústria fechou 2,5 mil vagas em São Bernardo e Diadema entre janeiro e maio, enquanto o saldo positivo de Santo André e São Caetano é de 160 empregos.


Para Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, as demissões ainda não ocorrem em grande volume porque as grandes empresas do setor, como montadoras e sistemistas, têm fôlego financeiro para administrar a situação de paralisação da produção com férias coletivas e uso do banco de horas dos funcionários.


Por enquanto, são as pequenas fornecedoras de partes e peças que mais sofrem com a retração das encomendas na cadeia automobilística. Quando a crise se instala, essas empresas não conseguem sustentar o emprego e, em alguns casos, precisam demitir até 10% do seu quadro de funcionários, diz Nobre. Como são de pequeno porte, as demissões podem variar de 10 a 15 funcionários por empresa.


José Pereira dos Santos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos, ressalta que ainda não é uma questão de desemprego em massa, mas empresas que já recorreram a férias coletivas e licença remunerada, por exemplo, estão deixando de repor parte das vagas deixadas em aberto pela rotatividade normal do setor. A indústria de transformação na cidade fechou 1,1 mil postos de trabalho entre janeiro e maio.


Pereira relata que algumas companhias instaladas em Guarulhos já procuraram o sindicato para negociar redução da jornada de trabalho e dos salários e diz que, se o setor não responder aos estímulos já concedidos pelo governo, como redução do IPI para itens da linha branca e veículos, por exemplo, as demissões podem ocorrer em escala maior a partir de agosto.


Em Manaus, onde os desligamentos superaram admissões em 4,2 mil, o problema se concentra na indústria de motos, que também vem realizando cortes. Só na Honda - maior do setor, com quase 80% do mercado - 886 funcionários deixaram a fábrica. Na Yamaha, 423 foram desligados.


As montadoras de motos já começaram a conceder as férias coletivas que estavam programadas para este mês, o que deve ajudar o setor a adequar a produção a um mercado retraído. Na Honda, a maior parte dos funcionários volta hoje, após dez dias de férias. Mas, em duas de suas cinco linhas de produção, a montadora estendeu a parada por mais uma semana.


Para Henrique Nora, presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) no Sul do Estado, as grandes empresas tentaram evitar demissões no fim de 2011, apesar da produção estagnada, mas como o ambiente que se instalou foi de crise, as indústrias começaram a demitir. Em Resende, foram fechadas 360 vagas.


Leia a íntegra do "Desemprego industrial cresce em várias cidades-polo do país" no link:

http://www.valor.com.br/brasil/2745190/desemprego-industrial-cresce...


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Tags: Economia do Trabalho

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