Publicado em 06/06/2012 no Valor Econômico.
O Brasil poderá se beneficiar da maior oferta de gado neste e no próximo ano e elevar as exportações de carne bovina, mas enfrentará o desafio do aumento do custo de produção em relação a outros países produtores, como os Estados Unidos. Essa é a avaliação de David Nelson, diretor de estratégia global da área de pesquisa e consultoria em alimentos e agribusiness do Rabobank, que participou ontem do Congresso Mundial da Carne, em Paris.
O custo do trabalho está aumentando rapidamente no Brasil porque a economia está crescendo. Nos EUA, não há criação de empregos, por isso os salários estão estagnados, afirmou. Ele pondera que, de uma perspectiva de competitividade internacional na exportação, o aumento dos salários representa um desafio para o Brasil; mas diz que as empresas brasileiras que elevam os salários também ajudam a impulsionar o consumo doméstico. De acordo com dados apresentados por Nelson no evento, na última década o custo do trabalho aumentou 70% no Brasil e 350% na China, e ficou praticamente estável nos EUA.
A perspectiva de oferta maior de gado para abate no Brasil e menor nos EUA - em decorrência de problemas climáticos em 2011 - é, de qualquer forma, uma oportunidade para o país retomar as exportações, que já corresponderam a 30% da produção há cerca de cinco anos e hoje estão abaixo de 20%, observou Nelson. A questão é quem vai pagar mais: o mercado doméstico ou o internacional, afirmou, acrescentando que o comportamento do câmbio também é um fator importante.
Elevar as exportações de carne bovina significa, para o Brasil, tirar vantagem de um mercado com preços mais altos, impulsionados pela menor oferta e tambem pela valorização dos grãos usados na ração animal. A produção global de carnes (bovina, suína e de aves) é a mesma hoje que há seis anos, período em que o PIB mundial cresceu; por isso os preços são mais altos, observou.
Christophe Lafougère, diretor da Gira, consultoria europeia especializada em carnes e lácteos, lembrou que nem os preços altos têm estimulado o aumento da produção de bovinos. Além disso, os preços nas diferentes regiões de produção têm convergido. O que se percebe é que os países emergentes aumentaram o preço ao nível de EUA e Europa, disse no evento em Paris. Ele considera que o mercado de suínos, ainda influenciado por sistemas de cotas em China e Rússia, tambem deverá ver uma convergência dos preços.
A Europa, que enfrenta queda no consumo de proteínas mais caras por causa da crise da zona do euro, também tem desafios. A reforma na Política Agrícola Comum (PAC), a partir de 2014, deve afetar a competitividade do segmento produtor de carnes, bovina e suína.
Leia a íntegra do "Custo ameaça avanço da exportação brasileira de carne bovina" no link:
http://www.valor.com.br/empresas/2693990/custo-ameaca-avanco-da-exp...
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