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No Portal Uai: "Greves ameaçam obras para a Copa em BH"

Publicada em 05/07/2011 pelo Portal Uai Notícias.

"Com cronograma apertado das intervenções em Belo Horizonte para a Copa de 2014, operários da construção civil decidiram repetir a estratégia adotado por trabalhadores africanos na preparação dos estádios para o Mundial de 2010, fazendo greves para reivindicar melhores salários. A prática inaugurada com a paralisação da reforma do Mineirão chegou nessa segunda-feira às intervenções da trincheira da Avenida Antônio Carlos e pode se espalhar como rastilho de pólvora em uma cidade repleta de canteiros de obras. A ameaça de sindicalistas é clara nesse sentido. "Nossa hora de colocar a corda no pescoço dos caras (donos das construtoras) é agora, aproveitando o tempo corrido para a Copa do Mundo. Daqui para a frente, vai ser assim: vamos parar de trabalhar para conseguir o que queremos. Onde estiver apertado, porque estamos atrasados, vamos apertar mais ainda", discursa o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Osmir Venuto.


Na manhã dessa segunda, 160 operários do Consórcio Integração (formado pelas construtoras Cowan e Delta, responsáveis pela reforma da trincheira da Antônio Carlos com Avenida Santa Rosa, no Bairro Aeroporto, na Pampulha) cruzaram os braços e voltaram para casa ao meio-dia. Eles reivindicam equiparação dos salários com os ganhos dos trabalhadores da reforma do Mineirão, que tiveram reajuste de 4% em 20 de junho. Querem, ainda, hora extra de 100%, participação nos lucros e resultados, de R$ 670, plano de saúde, fornecimento de refeições e tíquete-alimentação, além de melhores condições de trabalho. Na obra o pedreiro ganha R$ 926 e o ajudante, R$ 605.


Mês passado, operários do Mineirão ficaram parados por três dias e só voltaram ao trabalho depois de negociação com o Consórcio Minas Arena e com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Conseguiram 4% de reajuste sobre os pisos salariais de R$ 605 e R$ 926, direito a cesta básica, participação nos lucros proporcional ao tempo de serviço na obra, no valor de até R$ 660, plano de saúde e horas extras com adicional de 100%. Cerca de 400 operários participaram da votação que determinou o fim da greve.


A reforma da trincheira na Antônio Carlos com Santa Rosa faz parte da duplicação de toda a extensão da Avenida Pedro I - que tem três quilômetros e meio, entre as avenidas Portugal e Vilarinho, na Pampulha. Com o alargamento, será possível a construção da pista exclusiva de ônibus, e, a partir daí, a implantação completa do corredor rápido de ônibus (bus rapid transit ou BRT) Antônio Carlos /Pedro I - modelo de transporte coletivo de alta capacidade, constituído de veículos articulados que trafegam em faixas exclusivas ou em vias elevadas - e que atenderá cinco regionais de Belo Horizonte e parte da demanda metropolitana de transporte coletivo.


A duplicação da Pedro I conta com recursos do governo federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade, e o investimento é de R$ 173 milhões. Os trabalhos começaram no início de março, a partir da trincheira cuja obra foi paralisada nessa segunda-feira. A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) garante que o cronograma está em dia e promete concluir a duplicação da avenida no primeiro semestre de 2013.
Greve


Uma comissão interna do Consórcio Integração se reuniu na manhã dessa segunda com representantes dos trabalhadores, que entregaram a pauta de reivindicações. À tarde, os departamentos jurídico e de recursos humanos do consórcio ainda avaliavam o pedido, com a intenção de "chegar a um acordo o mais rápido possível".


Os operários fazem nova assembleia às 6h desta terça-feira, na trincheira. Além das reivindicações, eles reclamam que os banheiros químicos do canteiro são limpos apenas uma vez por semana e também da qualidade do café da manhã e do almoço. "O pão é duro e muitas vezes sem manteiga. A feijoada só tem ossos; não somos cachorros", disse o servente de pedreiro Cleidson Barros, de 20. O colega Alessandro Oliveira, de 39, conta que foi demitido quinta-feira por reclamar do salário.


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Reforma do Mineirão


Segundo a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa), as obras seguem em dia com seu cronograma, depois da paralisação encerrada dia 20. No mês passado, foi criado mais um turno de trabalho, que vai das 19h às 5h, e que contempla basicamente serviços de terraplanagem, 70% concluídos. O secretário de estado extraordinário da Copa do Mundo, Sérgio Barroso, garante que Belo Horizonte verá o seu maior estádio inaugurado até dezembro de 2012."

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Tags: Judiciário, Relações do Trabalho

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