Publicado em 07/08/2012 no O Globo. Por Lino Rodrigues.
Empresa propôs suspensão provisória dos contratos.
SÃO PAULO Sem outra opção, os empregados da General Motors (GM) de São José dos Campos (SP) devem aprovar em assembleia na manhã de hoje a proposta da montadora de adotar o layoff (suspensão temporária do contrato de trabalho) para 940 funcionários. Em reunião no sábado, a montadora concordou em não demitir 1.840 trabalhadores, efetivo considerado excedente pela empresa. Cerca de 900 trabalhadores continuam trabalhando no setor de Montagem de Veículos Automotores (MVA), unidade do complexo industrial da GM onde continuarão a ser produzidos os modelos Classic.
Da reunião de sábado, que durou mais de nove horas, participaram representantes da montadora e do sindicato local dos metalúrgicos. Ficou acertada a criação de um Programa de Demissões Voluntárias (PDV) para todo o complexo, formado por oito fábricas que empregam 7500 pessoas.
- Foi a proposta possível nesse momento: garantir a produção, ainda que temporariamente, do Classic, e afastar o perigo imediato das demissões em massa. Vamos continuar mobilizados para ampliar a linha do Classic e aumentar as exigências dos governos federal e estadual - disse Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos na cidade.
Único modelo ainda em produção no MVA, após a aposentadoria de Zafira, Meriva e Corsa, o Classic vai garantir a manutenção de 900 postos até novembro. Até lá, sindicato e GM se comprometeram a encontrar uma saída para os trabalhadores afastados, quando voltarem do período do layoff, que deve ir até novembro.
Mantega aprova negociações
As partes deverão, ainda, criar propostas para novos investimentos que garantam os empregos. Durante a suspensão dos contratos, parte dos salários será paga pela GM e parte, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), do Ministério do Trabalho.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que ficou satisfeito com o caminho das negociações. Segundo Mantega, o governo vai ficar "vigilante" para que os setores que foram beneficiados com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), caso de montadoras e da indústria de linha branca e de móveis, cumpram o acordo de não demitir empregados.
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