Publicado em 16/02/2012 no Diário do Nordeste.
País precisa elevar o patamar da taxa de investimento, hoje abaixo de 20% do PIB, para 25%, o ideal
Rio. O aumento dos aportes do governo em infraestrutura é crucial para induzir investimentos do setor privado e o crescimento da economia, aponta o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O recuo da taxa de investimento público, de 1,2% para 1%, de 2010 para 2011 é considerada preocupante, já que a margem de estímulo da política monetária estaria chegando ao seu limite.
"A queda da taxa básica de juros (iniciada pelo Banco Central) é positiva, mas não funciona sozinha. É preciso partir para uma política fiscal que organize o investimento privado de outra forma", disse ontem Roberto Messenberg, coordenador do Grupo de Análises e Previsões (GAP) ao apresentar o boletim Conjuntura em Foco.
Estratégia
Isso passa pela criação de uma estratégia pública de coordenação de investimentos. Sem ela, diz Messenberg, dificilmente o Brasil elevará o patamar da taxa de investimento hoje abaixo de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) para 25%, nível considerado ideal para um crescimento sustentado. O coordenador do GAP destaca que iniciativas como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o leilão de concessão de aeroportos já refletem essa estratégia, mas há dificuldades de execução.
Modelo não importa
Para Messenberg pouco importa se a atuação do Estado se dará via Parcerias Público-Privadas (PPPs), concessões ou parcerias, desde que alavanque os investimentos: "Temos uma Copa e uma Olimpíada pela frente. A solução dos aeroportos foi boa. Você está tentando resolver o problema como pode".
Além de dar condições para os investimentos, diz o boletim, as políticas públicas devem criar incentivos que direcionem boa parte deles à produção de manufaturados para exportação.
O Ipea rechaça a tese de que os problemas da economia brasileira, como pressões inflacionárias, decorrem da baixa taxa de desemprego (6%) atingida em 2011. Para o instituto, o aumento do estoque de capital voltado à indústria e a solução de gargalos de infraestrutura elevariam a competitividade brasileira.
Medidas de restrição
Por outro lado, medidas de restrição ao emprego e à demanda doméstica abortariam a possibilidade de um PIB consistente.
"Essas medidas cortariam as possibilidades de investimento e ampliação da capacidade de crescimento da indústria. É uma armadilha", disse Messenberg, frisando a falta de dinamismo industrial como o ponto crítico da economia.
Inflação
O Ipea acredita que a nova metodologia de cálculo da inflação adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir do IPCA de janeiro gerou uma mudança estrutural que tende a modificar o nível de inflação para um patamar inferior. De acordo com o Ipea, caso a nova estrutura fosse aplicada aos cálculos do IPCA em 2011, a inflação no ano teria registrado alta menor: de 6,2% em lugar dos 6,5% registrados no teto da meta. Já a inflação de janeiro de 2012 teria sido mais alta se tivesse mantido as bases de cálculo antigas, atingindo alta de 0,64% e não 0,56%.
A nova ponderação do índice com base na cesta de consumo da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) 2008-2009 elevou o peso de itens com preços em queda, como automóveis, na inflação. Por outro lado, reduziu a fatia de serviços em alta, como educação.
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