Publicada em 29/06/2010 pela Folha de Londrina.
A CNI alerta o Banco Central que um aumento dos juros agora vai trazer recessão. Só os bancos vão ganhar
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tentou mostrar ontem o estrago que um novo aumento nas taxas de juros básicos (taxa Selic) faria na economia. O aumento pode ocorrer na próxima reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) em julho. De imediato haveria uma queda brutal na demanda e consequente desaquecimento da produção com natural redução dos postos de trabalho, leia-se desemprego.
A CNI diz que isto já está ocorrendo desde o aumento anterior dos juros básicos, em abril. O governo previu baixo impacto nos juros do mercado, mas o fato é que a medida teve efeitos diferentes. Para alguns setores a recessão já se manifestou. Ficaram de fora alguns itens básicos, mesmo assim porque o comportamento cauteloso do consumidor foi rápido.
O governo pensa diferente. O ministro Guido Mantega havia garantido, semanas atrás, que os juros aumentaram e o impacto foi zero. Pelo sim ou pelo não, os analistas - fora do governo e da CNI - entendem que juros altos, qualquer que seja a justificativa - no caso é para conter a demanda e evitar inflação -, só beneficiam os bancos. Perdem a indústria, o comércio legal e principalmente os consumidores. Poderiam acrescentar, com certeza, que o governo também perde por conta da redução dos impostos, decorrente da redução da atividade econômica.
A leitura da CNI é que não há necessidade de elevar a taxa de juros porque a meta de inflação para este ano, de 4,5%, deverá ser cumprida sem grandes dificuldades. Pois é neste ponto que economistas discordam da CNI. Ela faz sua base de cálculo da inflação a partir da inflação prevista pelo governo, a oficial. Tais cálculos são manipulados. Os indicadores elencados para apurar um número final são projetados a partir de médias. Entram itens cujos preços não se alteram independente do que ocorre com a macroeconomia. Há dois tipos de inflação: aquela apurada pelos institutos oficiais, do governo, e a inflação real, aquela da continha feita pela dona de casa de posse da lista de compras do mês anterior. Governo e CNI não usam esses cálculos. Nenhum dos dois está certo. A inflação doméstica está mais alta, desde a compra de material escolar no início do ano."
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